Fuga e mortes: Conselho da Comunidade acompanhou dia tenso em Piraquara

Interior da PEP I em dezembro de 2016
Interior da PEP I em dezembro de 2016

O Conselho da Comunidade na Execução Penal vistoriou neste domingo (15) a Penitenciária Estadual de Piraquara I (PEP I), logo depois da explosão de parte de um muro que resultou na fuga de 28 detentos. Também houve confusão na Casa de Custódia de Piraquara (CCP), que teria funcionado como distração, e no quatro bloco da Penitenciária Central do Estado (PCE). Dois fugitivos morreram em confronto com a polícia durante a ação e mais dois foram mortos nesta segunda-feira (16), em uma chácara de Quatro Barras, município da Região Metropolitana de Curitiba. Quatro pessoas envolvidas na explosão foram capturadas após renderem uma família e se entregarem.

De acordo com as informações da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), cerca de 15 homens fortemente armados explodiram parte do muro lateral da PEP I em torno das 5h30 e trocaram tiros com a polícia, que tentava controlar um motim na CCP. Os fugitivos pertenciam à 5ª galeria B do presídio. Eles serraram as grades e fugiram com lençóis amarrados (as famosas teresas) até o gramado dos fundos da penitenciária.

Depois da fuga, a presidente do Conselho, Isabel Kugler Mendes, e a advogada Elisabete Subtil de Oliveira, vistoriaram as instalações da PEP I e constataram a apreensão de mais celulares, que teriam sido usados pelos presos para organizar a fuga. De acordo com as informações do Sindicato Dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), apenas nove agentes custodiavam os detentos na madrugada da explosão: 628 pessoas estavam presas na ocasião, para 647 vagas. Uma resolução do Conselho Nacional de Política Criminal estabelece que deveria haver um agente para cada cinco presos.

A Sesp comunicou no fim do dia que a ação foi “orquestrada” e alertou que o poder público já vinha tomando ações preventivas no sistema prisional desde outubro, quando a inteligência da polícia identificou o clima de guerra entre facções criminosas. O diretor do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Luiz Alberto Cartaxo Moura, disse que todas as atividades extraordinárias realizadas nas penitenciárias estão suspensas por tempo indeterminado nos 33 presídios do estado. Elas incluem visitas, estudo e trabalho. Televisores e aparelhos de rádio foram retirados de algumas galerias da PEP I.

Na semana anterior, três mulheres escaparam da Penitenciária Feminina do Paraná (PFP), sem ajuda exterior, também pelo muro. O Conselho da Comunidade já havia notificado as autoridades do poder Executivo e do Poder Judiciário de que a situação nos presídios é caótica.

Buraco na PEP I. Foto: Depen/Divulgação
Buraco na PEP I. Foto: Depen/Divulgação