Conselho da Comunidade vistoria o Complexo Médico Penal

dscn0001
Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade, em visita na ala feminina no final de 2016

O Conselho da Comunidade vistoriou nesta segunda-feira (30), pela primeira vez no ano, o Complexo Médico Penal (CMP), onde estão detentos de todo o sistema (inclusive faccionados), presos com restrição de liberdade por medida de segurança e também os encarcerados federais da Operação Lava Jato. A penitenciária abriga 665 detentos, espalhados em seis galerias, ala feminina e hospital. A lotação é de 659 vagas. Em setembro, antes do mutirão carcerário que liberou 142 pessoas, 760 presos lotavam as celas da penitenciária.

Não há canteiro de trabalho efetivo e apenas 23 apenados praticam alguma atividade regular (faxina, biblioteca e distribuição de alimentação, inclusive os presos da Lava Jato). Na última segunda-feira (30), 42 mulheres viviam na ala feminina, entre elas 6 grávidas que esperam para ter o bebê no hospital do complexo. Espalhados nas galerias 1, 2 e 3 estão 216 presos sob medida de segurança, que passam por reavaliações psicológicas periódicas. Nas últimas semanas, a direção da unidade levantou informações sobre todos eles para aumentar o controle jurídico sobre os casos, e repassou o levantamento para a psiquiatria.

Poucos agentes penitenciários trabalham no local. Durante a visita do Conselho, apenas 6 percorriam os corredores de dentro da penitenciária. No turno da noite, disse um agente, esse número tem caído para 4. Segundo ele, não chega a 30 o número total de contratados para atender os quase 700 presos, deficit de pelo menos 30 agentes.

Nove presos da Operação Lava Jato estão no CMP. Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, ocupa sozinho a cela de número 607, no corredor ao lado de José Dirceu, Gim Argello, Jorge Luiz Zelada, João Vaccari Neto e outros. O prefeito de Araucária, Rui Alves Souza (PTC), preso no final de dezembro em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por suspeita de concussão e lavagem de dinheiro, está preso na mesma galeria (6). O candidato a prefeito de Foz do Iguaçu, Túlio Bandeira (PROS), preso em setembro, também reside no mesmo corredor, assim como detentos envolvidos com o escândalo dos Diários Secretos.

Em contato com a direção da unidade, o Conselho da Comunidade se dispôs a doar agulhas para as máquinas de costura das galerias 1 e 2, dos presos com algum tipo de transtorno mental, e de compostos de vitaminas e minerais para os recém-nascidos. Em parceria com a unidade, o Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba doou nos últimos anos quadros, tinta, fraldas, kits de roupa infantil, chinelos, cobertores e até mesmo máquinas de lavar roupa.