Projeto Visão de Liberdade, de Maringá, é finalista do Prêmio Innovare 2017

Amostra do trabalho desenvolvido pelos internos da PEM. Foto: Divulgação/Depen

O projeto Visão de Liberdade, da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM), é um dos finalistas do Prêmio Innovare deste ano, premiação mais destacada da Justiça brasileira. Ele existe desde 2004 e já foi laureado internacionalmente.

No projeto, detentos do regime fechado confeccionam materiais didáticos para alunos cegos da rede estadual de ensino. São livros de impressão em Braille, livros falados, materiais em relevo, maquetes e jogos adaptados. O material é distribuído para 127 municípios do Paraná atendidos pelo Centro de Apoio Pedagógico de Maringá (CAP).

De acordo com o Depen, nesses 13 anos já foram produzidos 84.820 materiais didáticos em relevo, 453 livros e 54 apostilas digitados, e 126 livros e 12 apostilas falados – em diversas cópias. Além dos municípios atendidos pelo CAP de Maringá, o projeto já mandou materiais para outros estados e para Portugal.

São parceiros do projeto o Conselho Comunitário de Segurança de Maringá (Conseg); o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual – CAP, da Secretaria da Educação; Associação Maringaense de Amigos do CAP – Amacap; Colônia Penal Industrial de Maringá; Departamento Penitenciário do Paraná; Receita Federal de Maringá; Fundação Banco do Brasil; Instituto Viva Cidadania; Justiça Federal de Maringá e a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil.

Os vencedores serão divulgados no dia 5 de dezembro durante cerimônia de premiação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mais detalhes do projeto

Os internos do projeto passam por uma capacitação de noções básicas do Sistema Braille e do software Braille Fácil antes de iniciar o trabalho diário. Depois dessa etapa inicia-se o estágio que passa pelo encaminhamento dos livros pelo CAP, digitação no software Braille Fácil, revisão realizada pelos digitadores e encaminhamento do arquivo para o CAP. Ao chegar no centro de apoio, há uma nova revisão por professores especialistas, impressão em Braille, outra revisão realizada por um revisor cego, última impressão, encadernação e envio para os alunos.

Para o trabalho do livro falado ou áudio livro, há uma seleção específica dos internos e um curso de locução. Além de ter uma voz boa para a gravação, o apenado tem que conhecer os programas que irá utilizar no processo de gravação e edição do livro. Após esse período, ele inicia o trabalho propriamente dito: seleção dos livros; gravação; edição de sons e vozes; gravação em CD para revisão. Depois disso, há uma revisão no CAP, correções (caso haja necessidade), reprodução das 165 cópias, impressão de etiquetas, marcação em Braille das etiquetas, etiquetagem, endereçamento e encaminhamento para os diversos locais.

O projeto Visão de Liberdade é acompanhado e monitorado pelos coordenadores das instituições envolvidas por meio de observação do material produzido e a respectiva utilização das peças. A produção é avaliada pela Divisão Ocupacional e de Qualificação da PEM e pelo revisor e coordenadores do CAP.

O projeto custa R$ 12 mil por ano.

Premiações

O Visão de Liberdade foi reconhecido em 2014 pelo Prêmio ODM Brasil, iniciativa da ONU/PNUD que incentiva, desde 2004, ações, programas e projetos que contribuem efetivamente para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Ele concorreu com outros 1.090 inscritos, sendo 804 de organizações sociais e 286 de prefeituras.

Foi o terceiro prêmio recebido pelo projeto. Em agosto de 2011, o Visão de Liberdade recebeu o Prêmio Cidadania, promovido pela ANABB (Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil), e, em novembro do mesmo ano, o Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

Com informações da Agência de Notícias do Governo do Paraná.