Dezesseis presos fogem de carceragem no centro de Curitiba

Entrada da carceragem da Central de Flagrantes

 

Dezesseis presos fugiram da carceragem da Central de Flagrantes, que fica no mesmo prédio do 1º Distrito Policial (DP), no centro de Curitiba, na madrugada desta segunda-feira (13). De acordo com a Polícia Civil, os detentos quebraram uma janela da delegacia para alcançar a rua. Até o momento não há informações sobre como eles deixaram a carceragem.

Os policiais civis acionaram o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), mas ninguém foi recapturado.

Quarenta e dois presos ocupavam a carceragem da Central de Flagrantes no momento da fuga, de acordo com a Polícia Civil. O Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba esteve na unidade na última quarta-feira (8). Na ocasião, a Central fazia custódia de 45 detentos. A capacidade ideal é para apenas quatro pessoas.

A carceragem da unidade conta com apenas duas celas. Os presos se empilham em cerca de 10/15 em cada “xis” e ocupam também a “praia” do local, o que torna inviável a fiscalização direta dos agentes de cadeia pública. Faltam colchões e materiais básicos de higiene e limpeza.

VEJA COMO ESTAVA A SITUAÇÃO EM FEVEREIRO DESTE ANO.

Carceragem da Central de Flagrantes em fevereiro deste ano

Central de Flagrantes

A Central de Flagrantes está em funcionamento desde setembro deste ano. No local, a Polícia Civil concentra as informações referentes a flagrantes, materiais apreendidos, boletins de ocorrência, encaminhamento para a audiência de custódia e distribuição de presos para as demais unidades de Curitiba.

A Central conta com um efetivo próprio composto por seis delegados de polícia, dez escrivães e 20 investigadores, além de outros três investigadores lotados no 1º DP, que dão apoio durante o horário de expediente para lavratura de BO.

Ela foi construída para dar autonomia para os demais distritos policiais de Curitiba. Dos 13 DPs da divisão da capital, apenas 5 fazem custódia de presos: Central de Flagrantes/1º DP, 3º DP, 7° DP, 11° DP e 12° DP. Com os últimos episódios envolvendo tentativa de fuga e homicídio no 8° DP, ele foi fechado para reforma e os presos foram realocados para o 11° DP, onde a situação é caótica, conforme constatou uma comissão conjunta do Conselho da Comunidade, OAB-PR, Polícia Civil e Poder Judiciário.

Na última semana, as carceragens da capital abrigavam 296 presos, mas as celas têm capacidade para receber apenas 68, respeitadas as condições de humanidade da Constituição Federal e de Tratados Internacionais que versam sobre o tratamento mínimo à pessoa privada de liberdade.

Mais informações: Mortes e superlotação: por que Curitiba não consegue esvaziar carceragens de delegacias?