Bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba participa do Natal do Conselho da Comunidade

Dom Francisco Cota de Oliveira participou da festa em nome da Pastoral Carcerária

O mineiro Dom Francisco Cota de Oliveira, bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba, participou nesta quarta-feira (13) das comemorações de Natal do Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba na Casa de Custódia de Piraquara (CCP), nos arredores da capital. Ele representou a Pastoral Carcerária, instituição que desde 1986 atua no sistema penitenciário nacional, em parceria com a Irmã Luciene de Mello, que é conselheira fiscal do Conselho da Comunidade.

Para o bispo, que está desde agosto em Curitiba, o encontro foi fundamental para lembrar aos presos que eles não estão sozinhos. “As pastorais estão envolvidas para lembrar a comunidade do sentimento de união. A Igreja está em todos os lugares, até mesmo na prisão. É um momento de perdão, de repensar as atitudes, de tentar encontrar o amor dentro do coração”, afirmou.

A celebração também é um momento de estar ao lado das populações vulneráveis. “Nós temos a função de levar a oração, de participar da execução penal. O Papa Francisco reforça a todo momento a atenção aos pobres, aos presos. Isso nos lembra também que Jesus morreu como condenado e que ele precisa renascer nos corações em época de Natal”.

A Casa de Custódia de Piraquara (CCP) recebeu a oitava festa de Natal do Conselho da Comunidade de Curitiba. Já foram contempladas a Penitenciária Central do Estado (PCE), maior unidade de regime fechado do Paraná, a Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), a Penitenciária Feminina do Paraná (PFP) e a Colônia Penal Agroindustrial (CPAI), do regime semiaberto masculino. As comemorações contemplam presos e funcionários e contam com mensagens das pastorais católica e evangélica, show de uma dupla sertaneja (Bruno Cezar & Leandro) e entrega de um lanche com bolo, refrigerante e uma esfiha.

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A CCP é uma das unidades mais diferenciadas da Região Metropolitana de Curitiba: são 1.400 presos divididos em três galerias – uma do seguro – e mais de 90 shelters (contêineres) com 13 presos cada. A unidade também é a porta de entrada do sistema penitenciário para os presos das delegacias de Curitiba, RMC e litoral. Neste mês, o Conselho da Comunidade doou 600 chinelos para a CCP distribuir para os presos que chegam descalços.

Nas comemorações desta quarta (13), um grupo de presos aproveitou para cantar uma música para Isabel Kugler Mendes, presidente do órgão

Outras unidades

O Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba também aproveitou as festas de Natal para colher impressões sobre as unidades. Na PCE, os 1.680 presos entregaram para o órgão um abaixo-assinado com mais de 1,5 mil assinaturas cobrando oportunidade de estudo e trabalho e denunciando poucas horas de sol – apenas um dia por semana, quando a lei determina duas horas por dia.

Na Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP), as 400 presas repassaram mais de 30 reclamações para o órgão, entre pedidos de revisão jurídica, solicitação para óculos e denúncias de abusos por parte do Serviço de Operações Especiais (SOE) durante uma “geral”. Entre as presas há uma servidora pública da Prefeitura Municipal de Curitiba acusada de matar o marido após uma sessão de surra que recebeu dele, presas com filhos que requerem atenção especial e uma que está há quatro anos e meio sem condenação.

Os presos e as presas do regime fechado também reclamaram da Operação Alexandria, coordenada pela 8ª Vara Criminal de Curitiba, que ainda não proferiu uma sentença condenatória ou de absolvição. A operação foi deflagrada há dois anos (dezembro de 2015) com mais de 800 prisões. Todos ainda respondem provisoriamente pelo processo.

Presos da Casa de Custódia de Piraquara