Conselho da Comunidade constata guaritas em péssimas condições de uso no complexo prisional de Piraquara

Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, acompanha policial militar pelos muros de Piraquara

A convite da Polícia Militar do Paraná (PM-PR), o Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba inspecionou nesta segunda-feira (15) as 17 guaritas dos muros da Penitenciária Central do Estado (PCE), Penitenciária Estadual de Piraquara I (PEP I) e Penitenciária Central do Estado – Unidade de Progressão (PCE-UP). A PM-PR cobra do Depen reformas completas ou parciais nas instalações para levar mais segurança ao complexo prisional de Piraquara, maior do estado.

Apenas cinco guaritas (apelidadas de bravo) estão em funcionamento nessas muralhas por conta do baixo efetivo policial e das péssimas condições estruturais. Policiais se revezam em turnos de três horas e em guaritas estratégicas para tentar evitar fugas do lado de dentro e invasões ou arremessos do lado de fora. Há pelo menos um quilômetro de muro ao redor das três penitenciárias.

Os principais problemas denunciados pelos policiais militares dizem respeito às próprias estruturas físicas: banheiros em más condições de uso, instalações elétricas e hidráulicas improvisadas, móveis baixos demais para fazer vigília e vidros (sem blindagem) quebrados. A vulnerabilidade é escancarada pela ausência de iluminação externa para identificar seres estranhos ao sistema penitenciário na vegetação. As fiações também estão expostas e entram em curto circuito em função das chuvas. O Conselho da Comunidade flagrou a fiação de uma lâmpada protegida com um saco plástico de amendoim nesta segunda-feira.

De acordo com os policiais que acompanharam a vistoria, apenas seis ou oito refletores de luz estão funcionando, o que limita a visão externa dos presídios. Há pelo menos 50 refletores inoperantes nos muros. Em duas guaritas, a água utilizada pelos policiais em pias quebradas escorre direto para o chão. Havia um cano furado no banheiro de outra guarita.

Os policiais militares também reclamaram de pontos cegos, da ausência de uma cerca para proteger o muro (o que facilita arremessos de drogas, armas brancas e celulares para dentro das unidades) e da capoeira que cerca as unidades. Há ainda inúmeras caixas de luz e cabeamentos oxidados.

O Depen e o comando do 2º BPGD (Batalhão de Polícia de Guarda) tiveram uma reunião na semana passada para discutir a situação das muralhas. Na ocasião, a PM-PR apresentou um relatório com fotos das instalações e da visão noturna dos policiais pedindo providências principalmente em relação à iluminação e cercas nos arredores das unidades. O secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, Wagner Mesquita, já recebeu o processo. De acordo com os policiais, não há segurança para impedir invasões.

Para Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, órgão incumbido de fiscalizar as unidades de Piraquara, a situação é preocupante. “Há uma unidade de segurança máxima com boa estrutura, mas com iluminação precária. É uma situação que coloca em risco toda a execução penal”, afirma. Mendes se reuniu nesta terça-feira (16) com o diretor-adjunto do Depen, Cezinando Paredes. Ele determinou melhorias nas estruturas. O Conselho da Comunidade irá acompanhar as obras.

O complexo prisional de Piraquara abriga seis unidades do regime fechado e uma do regime semiaberto masculino. Não há edificações que impeçam o acesso à BR 116 ou a entrada de pessoas pela vegetação.

Além das cinco guaritas em funcionamento na muralha da PCE e da PEP I, há policiais militares em duas guaritas da Penitenciária Estadual de Piraquara II (PEP II) e em uma guarita na Casa de Custódia de Piraquara (CCP). Na PEP II, de acordo com os relatos, a visão é prejudicada em função da distância pequena para as celas.

Vulnerabilidade

Em janeiro de 2017, o muro da PEP I foi alvo de uma explosão que culminou na fuga de 28 detentos. Dois morreram em troca de tiro com policiais militares que estavam nas guaritas. Ainda há um buraco na parte de cima do muro, o que pode lesionar um policial militar em uma ação emergencial.

A situação, ao que tudo indica, pode se repetir em 2018. De acordo com informações repassadas pela unidade ao setor de inteligência do Depen, há chances de uma nova operação similar. Por conta das ameaças, policiais militares também têm realizado rondas com viaturas nos arredores dos presídios nos finais de semana.

Os policiais militares ainda relataram prisões de familiares que arremessaram objetos para dentro das unidades e a apreensão de inúmeros celulares nos pátios externos das celas. “Há três anos ainda havia cachorros nos arredores das unidades prisionais. Eles ajudavam a alertar os policiais militares. Até esse programa acabou porque pararam de comprar ração para eles”, denuncia um policial militar.

Veja as fotos

Refletor protegido por um saco de amendoim
Buraco da explosão do muro na PEP I
Interior de uma guarita inutilizada
Quase todas as guaritas estão com os vidros quebrados
Interior de uma guarita inutilizada
Fiação elétrica rompida e iluminação precária nas muralhas
Fiação elétrica de uma guarita em funcionamento
Policiais improvisam para ficar na altura ideal
Guaritas não têm vidros blindados
Guarita sem o refletor giratório
Guarita abandonada na penitenciária de segurança máxima do Paraná
Instalações da guarita que fica entre a Penitenciária Central do Estado e a Penitenciária Estadual de Piraquara I