Adepol afirma que 59 presos fugiram de delegacias do Paraná em 2018

A Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Paraná (Adepol) divulgou um balanço nesta semana em que aponta que 59 presos fugiram das carceragens do interior e da capital entre janeiro e os primeiros dias de fevereiro de 2018. Duas fugas foram registradas nesta segunda-feira (5) – em Piraquara, na região de Curitiba (seis presos), e em Terra Rica, no noroeste do Estado (vinte presos) – e uma nesta terça (6), em Pontal do Paraná (nove presos).

Na cidade litorânea, nove presos fugiram da delegacia do balneário de Ipanema. De acordo com a Polícia Civil, os detentos estouraram um cadeado por volta de 1h.

Em Terra Rica, segundo o Departamento Penitenciário do Paraná, vinte presos cavaram um túnel a partir da saída de esgoto do vaso sanitário de uma cela. O túnel dava para o pátio da unidade e, depois de atravessá-lo, os detentos ainda pularam o muro. No momento da fuga, a unidade, que foi projetada para abrigar oito presos, tinha 55 detentos.

A outra fuga desta segunda-feira (5) ocorreu na delegacia de Piraquara. A carceragem estava com 50 homens no momento do incidente, apesar de ter sido projetada para apenas 10. Seis escaparam.

Entre dezembro e os primeiros dias de janeiro de 2018 (Natal-Ano Novo), pelo menos oito fugas foram registradas no Paraná, em Curitiba, Almirante Tamandaré, Prudentópolis, Guarapuava, Ibati, Cambé e Cruzeiro do Oeste.

De acordo com o presidente da associação, João Ricardo Képes Noronha, os policiais civis são desviados da função para cuidar de detidos em delegacias, o que contribui para o colapso do sistema carcerário. “É uma situação que está atingindo um nível de ‘insuportabilidade’. Por um lado, temos os policiais comprometidos com a guarda de presos e desviados de suas funções, que é investigar crimes. Por outro, as delegacias que não oferecem estrutura básica para os presos cumprirem suas penas”, afirmou à Tribuna do Paraná no final de 2017.

O fujômetro da Adepol do ano passado apontou pelo menos mil fugas em todo o Paraná.

Conselho da Comunidade

O Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba é responsável pela fiscalização de oito carceragens na capital. Nos últimos dias, duas foram interditadas em função das péssimas condições sanitárias: o 11º DP, na Cidade Industrial, e a Delegacia de Furtos e Roubos, no Cristo Rei. O Paraná abriga cerca de 9 mil presos em carceragens improvisadas, pior índice do país.

Para a presidente do órgão, Isabel Kugler Mendes, a situação é caótica. “É uma violação contínua de direitos e deveres dos presos e dos policiais. E o mesmo cenário se arrasta há anos. É a maior das ilegalidades em curso no Paraná”, afirma.

Túnel da fuga em Terra Rica. Foto: Divulgação/Polícia Civil