Central de Flagrantes: bomba relógio de 8 vagas no centro de Curitiba está com 122 presos

Presos com ferimentos: a realidade da Central de Flagrantes

A Central de Flagrantes, antigo 1° Distrito Policial, no centro de Curitiba, abriga atualmente 122 presos, constatou nesta segunda-feira (5) o Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba. É o pico da superlotação e do descaso do poder público com os alojados, agentes de cadeia pública e policiais civis e militares, que se revezavam para cuidar do entra e sai. Há um mês e meio, havia 81 presos no local.

O Conselho da Comunidade levará essa situação para a OAB-PR, Defensoria Pública, Ministério Público e Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp). “O problema das delegacias é recorrente, mas alguns episódios beiram o insustentável. É inadmissível uma situação dessas no centro de uma capital como Curitiba. É uma bomba-relógio, uma violação completa de humanidade”, afirma Isabel Kugler Mendes, presidente do órgão.

Os detidos estão alojados em duas salas e duas celas improvisadas que deveriam servir para a custódia imediata. Há 49 homens na carceragem, construída para apenas oito, e 71 numa ante-sala que foi tomada de presos desde a última quinta-feira (1°). Há ainda uma sala com duas mulheres e pedaços de colchões. Os presos da ante-sala e as presas não têm acesso fácil a um banheiro.

O Conselho da Comunidade constatou no local dois tuberculosos diagnosticados por agentes de saúde, aidéticos, diabéticos, moradores de rua, pessoas com transtornos mentais, machucados (um deles bate a cabeça no vidro e repete a mesma frase), idosos e um preso com sarna que já passou a infecção para outros dois. Praticamente todos da ante-sala passam o dia com algemas nas pernas. Eles dormem em pedaços de papelão, urinam em galões e não tomam banho há dias.

Os presos da carceragem também estão em condição deplorável: urinam e defecam em um cano, dormem em pedaços de colchões improvisados enquanto outros assistem e têm pouco acesso a ventilação.

A situação das mulheres também é dramática. “Uma delas estava menstruada e a delegacia não tinha sequer um absorvente. Até porque não é uma unidade feminina, mas elas estavam ali. Passaram a noite ali. É um absurdo uma situação dessas, e acontece diariamente em plena luz do dia em Curitiba”, afirma Isabel Mendes. A presidente do órgão comprou analgésicos, absorventes e pomadas para minimizar as condições degradantes do cárcere.

O Sinclapol (Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná) também acompanhou a vistoria. A diretoria da entidade esteve nesta segunda-feira (5) com o novo secretário de Segurança Pública do Paraná (Ses), Júlio Reis, para pedir providências em relação aos presos de delegacias.

De acordo com o último Levantamento de Informações Penitenciárias, do Ministério da Justiça, e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR), o Paraná tem cerca de 10 mil presos cumprindo pena ou reclusão provisória em condições similares a Central de Flagrantes em Curitiba e no interior.

Preso com a perna machucada na Central de Flagrantes
Situação da ante-sala da Central de Flagrantes nesta segunda-feira
Presos abarrotados na carceragem da Central de Flagrantes

MAIS

Conselho da Comunidade constata superlotação extrema na Central de Flagrantes

Cármen Lúcia determina registro e vacinação de todos os bebês presos no país

Conselho, Sindarspen e comissão da ALEP entregam carta contra os contêineres ao secretário de Segurança Pública do Paraná

Conselho da Comunidade ajuda presos a enviarem carta para a ministra Cármen Lúcia

Justiça ordena interdição e retirada de presos da Delegacia de Furtos e Roubos

Presidente do STF visita penitenciárias do Paraná e recebe relatórios do Conselho da Comunidade de Curitiba