Mais dois dias de caos na Central de Flagrantes

Imagem da semana da Páscoa na antessala da carceragem da Central de Flagrantes

A Central de Flagrantes, no Centro de Curitiba, está prestes a explodir. Na segunda-feira (2), os presos tentaram fugir da unidade por um buraco dentro de uma das celas. Eles chegaram a render um agente de cadeia. Na terça-feira (3), houve um princípio de motim depois que um preso passou mal. Há 90 presos. São apenas 8 vagas.

O Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba constatou na semana passada que pelo menos 25 presos estavam numa antessala da carceragem, o que impedia policiais de circularem com facilidade pelo local. Eles estavam algemados pelos pés e pelas mãos e dormiam em pedaços de papelão. Esses presos estavam separados do dia a dia da Central de Flagrantes apenas por uma porta de vidro.

Depois da confusão de terça (3), eles foram repassados para o interior da cela. Havia mais de 80 nesta quarta (4): 20 em cada uma das celas e 40 numa espécie de hall na entrada das celas.

Desde que foi criada, com a ideia de centralizar trabalhos da própria Polícia Civil e também facilitar os flagrantes feitos pela Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal (GM), a Central de Flagrantes se transformou em um caldeirão. A unidade chegou a abrigar mais de 120 presos no mês passado. Também houve um caso de violência sexual contra uma presa.

Os detidos estão alojados em duas salas e duas celas improvisadas que deveriam servir apenas para a custódia imediata. Os presos da carceragem urinam e defecam em um cano, dormem em pedaços de colchões improvisados enquanto outros assistem e têm pouco acesso a ventilação. Os presos da sala urinam em galões e precisam de ajuda dos agentes e policiais para ir ao banheiro.

Para Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade, parece não haver limite. “É um absurdo o tratamento dado aos presos, mas é um absurdo o risco aos policiais civis, aos agentes, aos funcionários, à própria população em si. A carceragem fica no coração de Curitiba, já está interditada e mesmo assim continua recebendo presos. Só falta explodir”, afirma.

181% de superlotação

Na semana passada, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) divulgou um relatório sobre o sistema penitenciário que aponta 181% de superlotação nas delegacias do Paraná. Os dados são de dezembro de 2017. É o pior índice desde 2007. O TCE ainda aponta ausência de políticas públicas, vagas e problemas nas audiências de custódia.

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