Às vésperas do Dia dos Pais, juiz autoriza detento a acompanhar o parto do filho

João Marcos Buch: "Este salto ético já foi dado e o atual padrão de civilidade assim exige, bem como a humanidade agradece". Foto: Divulgação/ACIJ

O juiz João Marcos Buch, da comarca de Joinville, em Santa Catarina, atendeu o pedido feito por um homem que cumpre pena em regime fechado e o autorizou a acompanhar o nascimento do próprio filho. Como a Lei de Execuções Penais não prevê a possibilidade de saídas do estabelecimento prisional, o magistrado entendeu que o caso deveria ser interpretado conforme os princípios contidos na Constituição Federal, entre eles o que confere prioridade absoluta à proteção integral da criança. A solicitação foi feita durante uma das inspeções realizadas pelo juiz na unidade prisional.

Na decisão, João Marcos Buch citou o jurista Cristiano Chaves de Farias, para quem “a proteção integral serve, assim, como instrumento vinculante de todo o tecido infraconstitucional, impondo compreender toda e qualquer situação concreta de acordo com o que o melhor interesse da criança e do adolescente recomendar”.

“Em cada caso concreto, exige-se a construção de soluções derivadas do melhor interesse infanto-juvenil, oxigenando clássicos institutos jurídicos (como a guarda, a filiação e, é claro, o poder familiar e os alimentos). Todo e qualquer instituto concernente a interesse de criança ou adolescente precisa estar sintonizado na frequência da proteção integral constitucional, sob pena de incompatibilidade com o sistema constitucional”, argumenta o jurista.

O magistrado invocou, ainda, o princípio da dignidade da pessoa humana para autorizar a escolta do reeducando até a maternidade onde será realizado, daqui a quatro semanas, o parto do menino. “Com efeito, a permissão para acompanhar o nascimento do filho deve ser concedida ao apenado, pois vem ao encontro dos ditames constitucionais, bem como da dignidade da pessoa humana, fundamento da República. Isso nada mais é do que admitir e reafirmar, sempre, que a pessoa do condenado e sua família jamais perderão sua natureza humana e por este motivo serão sempre merecedoras de irrestrito respeito em seus diretos e garantias fundamentais”, pontuou Buch.

“Este salto ético já foi dado e o atual padrão de civilidade assim exige, bem como a humanidade agradece”, completou.

Com informações do TJ-SC.

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