Pesquisa do Sindarspen revela que 87% das agentes tiveram saúde afetada pelo ambiente de trabalho

“Se a situação dos agentes penitenciários homens já é preocupante, imagine das mulheres, que são ainda mais invisibilizadas num sistema que foi pensado por e para homens”. Foto: Annelize Tozzeto/Sindarspen

Uma pesquisa inédita do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) sobre as condições de trabalho das mulheres revela que 87% consideram que sua saúde foi afetada pelo ambiente de trabalho. O estudo ouviu 136 mulheres de todas as regiões do estado, o que corresponde a 32% do efetivo, e ocorre um ano depois de uma agente ter ficado 23 horas como refém em uma unidade da região metropolitana de Curitiba.

Os problemas mais citados foram transtornos mentais e de comportamento (31% delas), doenças no aparelho digestivo (27,5%), no aparelho respiratório (26%), no sistema nervoso (26%), no sistema osteomuscular (17,5%) e doenças de pele (16%). Quase metade das agentes diz que já precisou se afastar do trabalho por problemas de saúde.

A pesquisa mostra que quase 70% das agentes penitenciárias estão insatisfeitas com as condições de trabalho e 59% não estão contentes com a autonomia na tomada de decisões. O estudo aponta ainda que 75% estão insatisfeitas com a quantidade de mulheres nos espaços de comando no sistema penitenciário e 90% não se sentem confortáveis com a capacitação que receberam do Depen para executar suas funções.

O número mais expressivo do estudo é da margem de preocupação com a segurança diante do baixo efetivo, de 92,6%, o que é especialmente revelador diante do aumento do encarceramento feminino – a taxa de aprisionamento de mulheres aumentou em 455% no Brasil em 16 anos (entre 2000 e 2016).

A pesquisa também mostra o perfil das 365 agentes que atuam nas 33 unidades penais do Paraná. Mais da metade tem entre 31 e 40 anos, 68% são mães, 80% têm curso superior completo, 90% trabalha exclusivamente no sistema penitenciário e 43,4% têm entre 1 e 5 anos de profissão.

Entre as principais questões apresentadas ainda estão a falta de respeito às especificidades de gênero nas unidades penais; péssimas condições no ambiente de trabalho; falta de mulheres nos postos de comando, inclusive, nas unidades femininas; assédio moral e assédio sexual disfarçado de “brincadeira” – rejeitados por 61,5% da amostragem da pesquisa; a falta de treinamento específico para lidar com mulheres encarceradas, entre outros.

No Paraná existem três unidades destinadas a mulheres condenadas: a Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP), na região metropolitana de Curitiba, o Centro de Reintegração Social Feminino (CRESF), em Foz do Iguaçu, e o Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, onde ficam as parturientes e presas em medida de segurança. Existem agentes femininas nas outras 29 unidades penais masculinas do Paraná.

“Se a situação dos agentes penitenciários homens já é preocupante, imagine das mulheres, que são ainda mais invisibilizadas num sistema que foi pensado por e para homens”, destaca a diretora para Assuntos da Mulher do Sindarspen, Silvana Dantas.

Confira o estudo COMPLETO do Sindarspen.

Insegurança atinge 92,6% das agentes penitenciárias
Insinuações machistas já atingiram 61,5% das mulheres
Quase 90% tiveram a saúde afetada pelo sistema penitenciário

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