Conselho da Comunidade ajuda ex-detento a voltar para a Paraíba

São João do Rio do Peixe em destaque na Paraíba

O Conselho da Comunidade de Curitiba ajudou na quinta-feira (1º) o apenado A.M.S.F., de 43 anos, a retornar para a sua casa na cidade de São João do Rio do Peixe, na Paraíba, no Nordeste do país. A contribuição faz parte do projeto De Volta Para Casa, em que o órgão ajuda egressos a retornar para os municípios de origem, e marca um caso emblemático de acolhimento social. Apenas entre janeiro e outubro deste ano 210 passagens foram adquiridas para os egressos que estavam custodiados nas unidades da região metropolitana da capital.

A.M.S.F. foi solto às 17h do dia 30 de novembro durante o mutirão carcerário que aconteceu no Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, por decisão do juiz Moacir Antonio Dala Costa. Ele foi preso em 2001 na cidade natal, cumpriu seis anos de detenção, mas evadiu do regime semiaberto. O Poder Judiciário local expediu, então, um novo mandado de prisão, que ficou em aberto até esse ano.

A.M.S.F. passou por intervenções cirúrgicas no coração nesse tempo, recomeçou a vida e caiu em Curitiba, onde vendia panelas e redes. Numa das ocasiões foi abordado pela polícia local, que averiguou a existência de mandado por cumprir, e, em seguida, ele foi encaminhado para o CMP, onde passou por tratamento médico.

No dia da soltura ele planejou que viria a pé até Curitiba para buscar ajuda para retornar para a Paraíba, mas os rumos começaram a mudar quando ele encontrou uma advogada amiga deste Conselho da Comunidade. Ela conhece o projeto De Volta Para Casa e imediatamente entrou em contato.

A partir daí começou uma trajetória de acolhimento comum a todos que procuram o Conselho da Comunidade de Curitiba.

A assistente social Renata Corrêa fez o primeiro contato com ele e conseguiu uma vaga de acolhimento noturno em um equipamento da Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba. Logo em seguida a advogada Nathalia Fernandes da Silva levou ele até o local do pernoite.

No dia seguinte ele veio até o Conselho da Comunidade para receber um novo atendimento da assistente social. Enquanto isso o órgão comprou os medicamentos necessários para manter o tratamento cardíaco durante os três dias de viagem. Ele ainda recebeu uma coberta, roupas e alimentação necessária para o deslocamento.

Para a presidente do órgão, Isabel Kugler Mendes, o De Volta Para Casa significa um freio contra a reincidência porque acolhe egressos num dos momentos mais difíceis, quando recebem o alvará de soltura.

“A ansiedade é muito grande e hoje em dia o Depen não ajuda mais os apenados, então nós criamos esse projeto em parceria com a Rodoviária de Curitiba e o Poder Judiciário para evitar que os egressos perambulem em volta da rodoviária para pedir dinheiro para voltar para as suas cidades”, afirma Mendes.

“Eles passam por um filtro completo dos profissionais do Conselho da Comunidade e são fichados para que o órgão possa acompanhar a evolução da recuperação deles. Nós somos um órgão de assistência e de garantia de direitos, então temos contatos diários com diversos egressos para garantir que a transição para a vida livre ocorra de maneira saudável e pacífica”, completa.

A assistente social Renata Corrêa lembra ainda que os egressos saem totalmente desamparados do sistema penitenciário. “No caso dele apenas abriram as portas. Era fim de tarde, ele tem graves problemas cardíacos, não passa muitos ônibus pelo local. Ele viria a pé até Curitiba, um trajeto de 28 quilômetros. É um problema social porque pode gerar reincidência por motivo muito torpe. Esse cuidado nós precisamos ter com a população prisional”.

De Volta Para Casa é apenas um dos projetos do Programa Recomeço. Conheça os demais.

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