Após reforma, Hospital Penitenciário em Pinhais ainda tem problemas

Piso e rodapé mal colocados, paredes apresentando infiltrações e sanitários instalados incorretamente. Crédito da foto: Osvaldo Ribeiro/SESP

Após denúncias sobre a reforma realizada no Hospital Penitenciário, que fica dentro do Complexo Médico Penal, em Pinhais, o Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba – Órgão da Execução Penal fez uma visita à unidade na quinta (14). Foram constatados diversos problemas no local, como piso e rodapé mal colocados, paredes apresentando infiltrações e sanitários instalados incorretamente.

“Ficamos muito preocupados com o que vimos no Hospital Penitenciário. Vamos entregar um relatório com o que levantamos à Secretaria da Segurança Pública alertando para os problemas. Não é possível que uma unidade de saúde volte a funcionar naquelas condições. É um risco para médicos, enfermeiros, funcionários e pacientes”, afirma Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade da RMC.

A reforma foi concluída em dezembro de 2018 e orçada em cerca de R$ 471 mil em junho de 2017, quando teve seu início. A obra aguarda vistoria técnica do Paraná Edificações para a liberação de uso do HP. O departamento é vinculado à Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística. O dinheiro para a obra saiu do Fundo Penitenciário do Paraná (Fupen).

“A reforma só ocorreu após levarmos imagens das condições precárias do hospital ao então governador Beto Richa, isso em março de 2017. Diante do que mostramos, ele determinou o início das obras. Infelizmente foi uma sucessão de erros. Primeiro esqueceram de colocar na reforma a troca do piso. Depois não mexeram no telhado. Agora, após quase dois anos, constatamos que o trabalho executado deixa muito a desejar”, lembra Isabel Mendes.

A reforma do HP previa pintura do prédio, troca da rede elétrica e de esgoto, substituição das galerias pluviais, revestimentos, louças e piso. A unidade tem cerca de 50 anos e atende presos de todas penitenciárias e delegacias do Estado.

O Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen) negocia uma parceria público-privada com a Universidade Positivo, que pretende transformar o local em Hospital Escola.

“A negociação pode ser prejudicada infelizmente por causa da péssima qualidade da obra realizada no HP”, diz a presidente do Conselho da Comunidade da RMC.

Superlotado

O Complexo Médico Penal tem capacidade para 599 detentos, mas abrigava na semana passada 833. A galeria 4 está superlotada, com 136 detentos para 76 vagas. Nos últimos anos, a unidade perdeu 20 agentes, 7 médicos e 4 técnicos de enfermagem.