Caos na CCC: mortes, sequestros e falta de água

Casa de Custódia de Curitiba está localizada no bairro Cidade Industrial

Em menos de uma semana, a Casa de Custódia de Curitiba (CCC) tem a segunda morte de um preso. Nesta quarta (27), Anderson dos Santos Ferreira, de 25 anos, que estava no isolamento, teria ateado fogo em um colchão e morrido em decorrência do incêndio. Na madrugada de domingo (24), Renan Vieira Alves, 25 anos, foi morto por outros presos. Ele também estava sozinho no corredor do setor de isolamento, quando detentos de uma sala vizinha teriam conseguido arrancar uma barra de ferro e feito um buraco na parede que separava os dois ambientes. Renan morreu em decorrência do espancamento. A unidade conta com poucos agentes para fazer a segurança do local no período noturno.

“É um absurdo o que está ocorrendo na CCC. O Estado é responsável pela guarda dessas pessoas. Não é possível que pessoas morram nas dependências de uma cadeia. O CCC não tem capacidade nem efetivo para guardar tanta gente”, afirma Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba – Órgão de Execução Penal.

A CCC tem capacidade para abrigar 492 presos, mas na terça (26) estava com 740 detentos. O local foi construído para ser uma casa de passagem de quem aguarda julgamento, não tendo canteiro de trabalho, locais para estudo nem estrutura suficiente de abastecimento de água e de coleta de esgoto.

“A Casa de Custódia de Curitiba não foi projetada para abrigar tanta gente. Recebemos informações que caminhões-pipa da Sanepar são chamados todos os dias para abastecer a caixa d’água da unidade, que não tem capacidade para atender mais do que 500 pessoas. O mesmo está acontecendo com o sistema de coleta de esgoto, que está saturado e a ponto de estourar”, diz Isabel Mendes.

Sequestros

Outra denúncia é que presos chegam a ser “sequestrados” por outros detentos dentro da CCC. Os “sequestrado” é colocado dentro de uma cela e os “sequestradores” usam celulares para coagir familiares, exigindo como pagamento para libertar o preso aparelhos de televisão e rádio ou sacolas com alimentos. O déficit de agentes penitenciários não permitem uma maior fiscalização.

O caos na CCC tem afetado também as famílias dos presos, que enfrentam dificuldades para levar sacolas com alimentos para os detentos. Relatos que chegam ao Conselho da Comunidade informam que por falta de luvas os atendentes usam o mesmo material para a revista e para o manuseio de alimentos. Cerca de 70% do presos da unidade recebem alimentos levados por familiares, que chegam de madrugada na unidade para enfrentar as longas filas e não têm acesso a sanitários.