Paralisação nos presídios do Paraná

Por causa da superlotação, presos do 8.º DP, em Curitiba, precisam fazer rodízio para poder dormir. Crédito da foto Ricardo Marques de Medeiros

A superlotação das carceragens das delegacias de polícia e no sistema penitenciário do Estado não é nenhuma novidade. Para chamar a atenção para as condições precárias a que são submetidos, os presos nos presídios paranaenses decidiram paralisar as atividades, não saindo para o pátio, nem participando das aulas e de audiências. Apenas os detentos com consultas médicas são autorizados a saírem das celas.

A manifestação começou na segunda, 6 de maio. Por causa da superlotação, presos recém transferidos para uma unidade chegam a ficar 30 dias na triagem à espera de abertura de vagas nos blocos. O excesso de presos também provoca aumento de visitantes, o que causa longas filas e demora na entrada dos familiares. Outro problema é a falta de marmitas para todos os sentenciados. Cada penitenciária recebe marmitas de acordo com sua capacidade, tendo uma margem pequena para caso de extravio, não para atender a mais presos.

O detentos também protestam por causa dos maus tratos nas unidades penitenciárias do Estado por parte dos agentes do SOE.

“As celas foram construídas para abrigar 4 detentos, mas há alguns anos, já por conta da superlotação no sistema, os beliches foram transformados em treliches para as celas comportarem 6 presos. Mas todas as celas já estão com o sétimo preso, que dorme em um colchão no chão. Relatos que recebemos indicam que a massa carcerária não vai aceitar um oitavo preso por cela”, afirma Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba – Órgão da Execução Penal.

Rebelião

O 8.º DP enfrentou duas rebeliões no começo de maio. Na madrugada do dia 7, os presos arrancaram canos de água, o que provocou alagamento da cela. Colchões, mantimentos e roupas molharam. O local estava com mais de 80 presos, mas só tem espaço para 15. Os presos precisam fazer rodízio para dormir. Um grupo dorme 4 horas e depois dá espaço para outro. Na superlotada carceragem, há relatos de detidos com tuberculose, hepatite, com costela quebrada, com problemas urinários, conjuntivite, piolho e até carrapato.

Outro problema encontrado na 8.ª DP é o de presos que já passaram pela audiência de custódia, mas não tem condições de pagar a fiança estipulada pela Justiça. É o caso de Alisson Augusto da Silva, que está há mais de 30 dias na carceragem. O juiz estipulou uma fiança de R$ 500, mas ele alega que não tem condições financeiras para pagar o valor. Alisson está com a perna quebrada e o gesso molhou durante a rebelião. Outro na mesma situação é Maicon Alves dos Santos, morador de rua, que estava há cerca de 40 dias no DP. A Justiça estipulou uma fiança no valor de 2 salários mínimos. Maicon segue detido por não ter dinheiro para pagar a fiança.

“Casos como esses contribuem para o sistema e as carceragens virarem verdadeiras panelas de pressão prontas para explodir”, diz Isabel Mendes.