8.º DP fica sem carcereiro no fim de semana

O 8.º Distrito Policial – Central de Flagrantes, em Curitiba, vem enfrentando, além da superlotação na carceragem, a falta de agentes para vigiar os presos. A informação de que não havia carcereiros foi recebida pelo Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba – Órgão da Execução Penal no fim de semana. “É preocupante essa situação. No começo de maio, a delegacia já havia enfrentado duas tentativas de rebelião por causa do excesso de presos na carceragem. A falta de pessoal para cuidar dos presos coloca em risco a delegacia e os próprios detentos”, afirma Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho.

A cadeia tem capacidade para 15 presos, mas no começo de maio chegou a abrigar 98 detentos. Quando esteve vistoriando a DP, a presidente do Conselho da Comunidade da RMC recebeu relatos de muitos detidos na carceragem estavam há semanas aguardando para passar por uma audiência de custódia. Outros continuavam presos no local por não terem dinheiro para arcar com as fianças estabelecidas pela Justiça. Era o caso de Alisson Augusto da Silva, que está há mais de 30 dias na carceragem. O juiz estipulou uma fiança de R$ 500, mas Alisson alegou que não tem condições financeiras para pagar o valor. Outro na mesma situação era Maicon Alves dos Santos, morador de rua, que estava há cerca de 40 dias no DP. A Justiça estipulou uma fiança no valor de 2 salários mínimos.

“Casos como esses contribuem para o sistema e as carceragens virarem verdadeiras panelas de pressão prontas para explodir”, diz Isabel Mendes.

Interdição

Na semana passada, o juiz Guilherme de Paula já havia determinado a interdição da carceragem do 8º DP – Central de Flagrantes, proibindo novos encarceramentos de presos em flagrantes ou provisórios até que fossem atendidos os requisitos da Lei de Execuções Penais. A medida também foi estendido para o setor B da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, na Vila Isabel.

Rebelião

Na madrugada do dia 7 de maio, os presos arrancaram canos de água, o que provocou alagamento da cela da delegacia. Colchões, mantimentos e roupas molharam. O local estava com 84 presos no momento da revolta. Por causa da superlotação, os detentos precisam fazer rodízio para dormir. Um grupo dorme 4 horas e depois dá espaço para outro. Na superlotada carceragem, há relatos de detidos com tuberculose, hepatite, com costela quebrada, com problemas urinários, conjuntivite, piolho e até carrapato.

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