Presos convivem com ratos e baratas na Delegacia de Piraquara

A Delegacia de Piraquara, na Grande Curitiba, é um exemplo do desleixo com que o Estado administra o sistema penitenciário. Como a maioria dos distritos policiais do Paraná, a unidade está com a carceragem superlotada (possui 4 vagas, mas na sexta, 2 de maio, comportava 58). Para piorar a situação, o local abriga presos que necessitam cuidados médicos e psiquiátricos. Aguardando transferência para o Complexo Médico Penal (CMP), os detidos vivem no meio de fezes humanas e são flagrados tomando urina. Vale lembrar que o CMP está com falta de profissionais de saúde para o atendimento, o hospital penal ainda está desativado e a unidade está com 228 presos acima da sua capacidade (599).

Outro problema verificado na visita realizada pelo Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba – Órgão da Execução Penal na terça (30 de abril) é a reclusão de mulheres na carceragem. Elas ficam em uma cela improvida ao lado dos homens. Apenas grades separam os dois grupos. O Depen pretende transferir todas as mulheres detidas provisoriamente em delegacias da RMC para o distrito de Rio Branco do Sul, mas ainda não tem data marcada para ocorrer.

“O que vimos em Piraquara é um absurdo total. Aquelas pessoas estão em situação desumana. Convivem com sujeira, ratos e baratas. O Estado é o tutor e simplesmente não oferece condições dignas. Por lei, as mulheres não poderiam estar em celas separadas dos homens apenas por grades. Se já estão sentenciadas, deveriam ir para o sistema”, afirma Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade da RMC.

“A superlotação do sistema faz com que o CMP não tenha condições de receber presos com necessidades especiais como os que vimos em Piraquara. Falta uma política de Estado para resolver o caos no sistema penitenciário paranaense. Infelizmente, não vemos o governo demonstrar preocupação em achar soluções definitivas para resolver a situação, apenas medidas paliativas”, ressalva Isabel Mendes.

Em fevereiro, por causa da superlotação houve uma tentativa de fuga na Delegacia de Piraquara, mas a polícia conseguiu evitar que os presos escapassem.

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