CCP deixa presos sem banho de sol

A Casa de Custódia de Piraquara (CCP), na Região Metropolitana de Curitiba, tem capacidade para 1.342 presos, mas como as demais unidades penitenciárias do estado, enfrenta superlotação, com uma população de cerca de 1.600 detentos, em sua maioria provisórios. A CCP é alvo de inúmeras denúncias de maus tratos a presos e familiares e pelas instalações em condições insalubres, principalmente os shelters (contêineres), que abrigam aproximadamente 1 mil homens. Na terça-feira (10 de setembro), uma comissão formada por representantes de diversas entidades estiveram na unidade para verificar as condições às quais os presos são submetidos.

“Importante que toda a sociedade dê a devida atenção a este problema e que os poderes – Executivo, Judiciário e Legislativo – se mobilizem. Melhorias nas condições de trabalho dos agentes de segurança, garantias de tratamento digno e humano aos que estão no cárcere, fomento a projetos de ressocialização, trabalho e educação são ações urgentes”, afirma o deputado estadual Goura (PDT), integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná.

“Toda semana recebemos denúncias envolvendo maus tratos aos presos na CCP. Os contêineres têm capacidade para 12 presos, mas nunca abrigam menos de 14. Além disso, a falta de efetivo faz com que a movimentação dos detentos para o banho de sol seja reduzida. Temos relatos de presos que chegam a ter o direito apenas uma vez por mês. Nesta visita à CCP, um rapaz contou na frente do diretor que estava há 8 meses sem sair do contêiner. Isso fere a Lei de Execução Penal e é desumano”, diz Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba – Órgão da Execução Penal.

Para Waleiska Fernandes e Karolline Nascimento, representantes do Conselho Permanente de Direitos Humanos do Paraná (Coped), a CCP enfrenta uma série de problemas ocasionados por um abandono histórico, quase todos ligados à falta de servidores públicos. A CCP tem apenas 110 agentes penitenciários e de cadeia para cuidar e movimentar a massa carcerária na unidade. São cerca de 25 agentes por turno, mas este efetivo é defasado por conta de licenças médicas, férias e folgas dos agentes. O Estado não realiza concurso público há uma década. Recentemente, o governador Ratinho Jr. anunciou a contratação de 238 agentes via Processo Seletivo Simplificado. De acordo com o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, desde 2010 o número de presos nos presídios do Paraná subiu de 14 mil para 22 mil, enquanto o número de agentes caiu. Das 4.131 vagas na carreira de agente penitenciário, atualmente, apenas 3.069 estão ocupadas. A entidade defende que para atender a demanda da segurança pública do estado, há a necessidade de contratação imediata de 4.300 agentes e de mais 2.100 para trabalharem nas unidades previstas para serem inauguradas pelo governo nos próximos anos.

Segundo trecho do relatório do Coped, a falta de servidores prejudica o cumprimento a direitos básicos previstos na Lei de Execução Penal, como por exemplo, o banho de sol. Presos relataram que ficam até 4 meses sem o pátio, quando a LEP determina sejam duas horas diárias destinadas a esse fim. Segundo a direção, não há agentes em quantidade para fazer a movimentação desses detentos de forma a garantir o sol diariamente. O relatório de inspeção do Conselho do Permanente de Direitos Humanos do Paraná será encaminhado para o Depen e para a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SESP) cobrando providências que melhorem o tratamento à massa carcerária e as condições de trabalho para os servidores, inclusive, com a realização de concurso público.

Luciene C. Melo, da Pastoral Carcerária Estadual, e Luísa Cytrynowiscz, pesquisadora da Pastoral Carcerária Nacional, também integraram a comissão que fez a visita à CCP. Para a pesquisadora, a situação paranaense é crítica. “Esperava encontrar melhores condições nas penitenciárias do Paraná”, afirma Luísa Cytrynowiscz.

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